Conheça os diferentes testes para Covid-19

COVID-19 é uma doença causada pelo coronavírus Sars-CoV-2, que apresenta um quadro clínico que varia de infecções assintomáticas a quadros respiratórios graves. 

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a maioria dos pacientes com COVID-19 (cerca de 80%) pode ser assintomático e cerca de 20% dos casos podem requerer atendimento hospitalar por apresentarem dificuldade respiratória e desses casos, aproximadamente, 5% podem necessitar de suporte para o tratamento de insuficiência respiratória (ventilação mecânica).

Conheça os testes!

Existem dois principais testes disponíveis no momento para detecção da Covid-19: o teste RT-PCR, que é um teste molecular, em que realizamos a coleta de swab de nasofaringe e orofaringe (nariz e garganta) e a Pesquisa de Anticorpos, realizado no sangue, preferencialmente no soro. Entenda a diferença entre eles:  

O teste RT-PCR identifica a infecção por Sars-CoV-2 até mesmo quando o paciente ainda não apresenta nenhum sintoma. É considerado padrão ouro na identificação da COVID-19 e serve para identificar a doença na fase aguda, no momento que ela está acontecendo, cuja detecção realizada é o RNA do vírus, pesquisa direta do antígeno, que consideramos como um inimigo e que está atacando nosso organismo. 

O PCR é o mais indicado para o início da doença, em pacientes sintomáticos na fase aguda e também para avaliação de retorno ao trabalho de profissionais da saúde. Este exame deve ser realizado do 1º ao 10º dia do início dos sintomas, preferencialmente do 3º ao 5º, pois há estudos que indicam a queda de sensibilidade já a partir do 6º dia, ou enquanto o paciente não desenvolver o anticorpo IgG (neste caso, especificamente, para monitoramento da presença da carga viral no organismo). O resultado do RT-PCR será DETECTADO ou NÃO DETECTADO. 

Se o resultado der DETECTADO para o RNA do vírus Sars-Cov-2, significa que estamos com a Covid-19, ou seja, que entramos em contato com o vírus via contaminação por olhos, nariz ou boca. Não necessariamente iremos desenvolver a doença (caso dos 80% assintomáticos), mas poderemos, sim, estar transmitindo. Se o resultado for NÃO DETECTADO, pode ser que realmente não tenhamos nos contaminado com a Covid-19 ou que a coleta do exame foi inadequada (o que chamamos de erro pré-analítico), ou que a coleta foi fora do prazo adequado para detecção do vírus. Tudo depende também da carga viral a qual fomos expostos.  

Mapeamento de soroconversão

Já o teste para detecção da presença ou não de anticorpos são exames para mapeamento da soroconversão. Ele identifica se o paciente ainda está com a infecção (IgM presente) ou se já desenvolveu anticorpos para a COVID-19 (IgG presente ou ativo). Pode ser realizado tanto a pesquisa de anticorpos totais quanto a pesquisa separada de anticorpos IgG e IgM.

 A sorologia para Covid-19 é indicada para pacientes sintomáticos na fase tardia, quando não detectado no PCR ou quando não têm PCR disponível. Também pode ser utilizado para avaliação de retorno ao trabalho de profissionais de saúde.

Atenção aos prazos de exame

Para uma análise mais adequada, este exame deve ser realizado pelo menos 10 dias após a presença do primeiro sintoma ou, se o paciente for assintomático e teve contato com pessoa que testou positivo para Covid-19, deve ser coletado após 14 dias. É neste período que as curvas de IgG e IgM se cruzam e este prazo deve ser respeitado seja via sorologia ou teste rápido.

A coleta realizada no prazo correto evita resultados falso-negativos, respeitando o período de janela imunológica do paciente, que é o tempo que nosso organismo leva para produzir adequadamente os níveis de anticorpos a serem detectados no teste. 

Métodos de detecção 

Existem diferentes métodos para detecção dos anticorpos da Covid-19. Estes exames podem ser realizados por Enzimaimunoensaio (ELISA), Eletroquimioluminescência (MCLIA), Quimioluminescência (CLIA), Imunofluorêscencia (FIA) ou Imunocromatografia (teste rápido), sendo os primeiros métodos bastante sensíveis, proporcionando uma maior segurança no resultado devido à quantificação do número de imunoglobulinas presentes.

Já o método imunocromatográfico (teste rápido) é um teste qualitativo, ou seja, apresenta um resultado REAGENTE/POSITIVO ou NÃO REAGENTE/NEGATIVO, através de uma análise realizada pelo olho humano, em que também constatamos interferentes quando realizado na ponta do dedo, como a própria pigmentação do sangue. 

Os anticorpos são aqueles que foram produzidos para defender nosso organismo. Se o resultado da pesquisa de anticorpos totais der REAGENTE, significa que entrou em contato com o vírus Sars-Cov-2. Neste caso é importante fazer uma pesquisa separada da IgG e IgM para saber em qual fase da doença está, se aguda (IgM) ou crônica (IgG). 

Interpretação dos resultados 

Com essa análise, podemos fazer a seguinte a interpretação dos resultados: 

Pesquisa de anticorpos IgG reagente: Indica exposição prévia ao vírus SARs-CoV-2, com ou sem desenvolvimento de sintomas perceptíveis. IgG é uma imunoglobulina de memória e sua presença, via de regra, é indicativo de imunização ao patógeno. O anticorpo IgG permanece detectável indefinidamente.

IgG não reagente: Este resultado deve ser analisado cuidadosamente devido ao período de janela imunológica, em que pessoas que tenham sido expostas ao vírus ainda não desenvolveram quantidade de anticorpos suficientes para serem detectadas pelo teste. Os anticorpos IgG começam a ser produzidos a partir do 14º dia de contato com o vírus. Se houver suspeita de infecção prévia pelo vírus SARs-CoV-2, nova amostra de sangue deve ser analisada posteriormente, com periodicidade a ser definida pelo médico assistente.

Pesquisa de anticorpos IgM reagente: Indica exposição recente ao vírus SARs-CoV-2, com ou sem desenvolvimento de sintomas perceptíveis. Indica infecção aguda. Há relatos que os anticorpos IgM são produzidos entre o 7º dia da infecção até o 21º. Enquanto houver persistência de anticorpos IgM, há “possibilidade” de se transmitir o vírus a outras pessoas, devendo o paciente com este resultado manter-se isolado. 

IgM não reagente: Este resultado deve ser analisado cuidadosamente devido ao período de janela imunológica, onde pessoas que tenham sido expostas ao vírus ainda não desenvolveram quantidade de anticorpos suficiente para ser detectada pelo teste. Se houver suspeita de infecção prévia pelo vírus SARs-CoV-2, nova amostra de sangue deve ser analisada posteriormente, com periodicidade a ser definida pelo médico assistente.

A resposta imunológica dessa doença está muito atípica e diferente de tudo que já vimos até agora, devendo tudo ser analisado com muita cautela, sempre com orientação médica. 

 

Autora: 

Dra. Valéria Regiane Lovison Gerônimo

CRF-SP – 25.204

 

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