Como sabemos, a COVID-19 é uma doença causada pelo corona vírus Sars-CoV-2, identificado em dezembro de 2019, em Wuhan na China.  A maioria dos pacientes podem não apresentar sintomas ou apresentar algo muito sutil, a ponto da própria pessoa não considerar relevante e perceber a doença, e 20% dos casos podem evoluir para quadros sintomáticos que necessitem de um maior cuidado, como quadros inflamatórios graves, pneumonia, trombose, etc. Por isso, enquanto não tivermos a cura, a vacina se faz tão importante. O Brasil já superou a marca de 5 milhões e 250 mil pessoas contaminadas e ultrapassou 154 mil mortes pela Covid-19. 

Vacinas

Existem 10 vacinas contra a Covid-19 em andamento e 06 estão em fase final de desenvolvimento no mundo todo. Quatro estão em testes no Brasil, com autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). As informações divulgadas a população ainda não são completas, e o que temos até o momento são projeções, sem data definida para o começo da imunização. São elas:

1-Coronavac

É a vacina chinesa em parceria com o Instituto Butantã, ela apresentou bons índices de segurança e tem previsão do início da vacinação para dezembro, começando pelos profissionais da saúde, mas sem precisar quando as doses estarão disponíveis. A previsão é receber 46 milhões de doses em dezembro de 2020 (a Coronavac exige aplicação de duas doses por pessoa). Há ainda uma previsão de outras 15 milhões em fevereiro de 2021, caso seja necessário. No quesito prazo, a Coronavac larga na frente, mas faltam informações concretas. O Instituto Butantã não precisou quando serão anunciados os resultados preliminares da fase 3, que testa a eficácia do imunizante.

2-Astrazeneca e Universidade de Oxford

O Ministério da Saúde tem um cronograma de entrega do imunizante ChAdOx1 nCoV-19 (“vacina de Oxford”), encomendado por Brasília com o laboratório Astrazeneca e a Universidade de Oxford — e que será fabricado pela Fiocruz em Bio-Manguinhos, no Rio de Janeiro, a partir de abril de 2021. O governo federal disse que contará com 100 milhões de doses no primeiro semestre de 2021 e mais 110 milhões na segunda metade do ano, mas sem se comprometer com uma data para início da imunização. Foi anunciado que o Brasil receberia mensalmente, a partir de janeiro, 15 milhões de doses dessa vacina. 

3-Sputnik

A vacina criada por centros de pesquisas russos traz insegurança nas informações, pelo histórico complicado de transparência de dados, e é uma das cotadas para uso no Brasil. Em acordo realizado entre o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF) e a farmacêutica União Química, pode permitir que a empresa produza a vacina no Brasil em dezembro. O diretor executivo do fundo russo afirmou que o Brasil é um parceiro confiável e afirmou que 230 milhões de doses da Sputnik V começam a ser despachadas para a América Latina, a partir de janeiro. O governo da Bahia disse que comprou 50 milhões de doses do imunizante, porém, os testes da fase 3 da vacina russa com voluntários brasileiros ainda não começaram. O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) afirma que estão na fase final da elaboração do protocolo de validação dos testes clínicos da Sputnik V no país.

4-Janssen-Cilag

Outra em fase de testes clínicos, a vacina da Janssen-Cilag sofreu um revés devido ao aparecimento de uma doença inexplicada em um participante da pesquisa. A farmacêutica optou pela transparência e anunciou uma pausa nos estudos, inclusive no Brasil, até averiguar se o episódio tem relação com a vacina ou não.

Desafios da Vacina

Existe uma avaliação de que todas as vacinas em teste no Brasil são promissoras. “Todas tiveram bons resultados nas primeiras fases, geraram resposta imune e tiveram poucos efeitos colaterais.” Agora, os fabricantes competem para ver quem irá comunicar primeiro os resultados preliminares dos testes clínicos da fase 3. Com os resultados, começa a corrida para aprovar o uso da vacina com os órgãos sanitários dos países. Porém, alguns pontos ainda precisam de levados em conta como: distribuir a vacina para toda a população brasileira com refrigeração, definir os grupos com prioridade (idosos, pessoas com comorbidades, profissionais de saúde, entre outros). O Ministério da Saúde trabalha na estratégia de imunização contra a Covid-19 através da elaboração do Plano de Nacional Imunização (PNI).

Enquanto não tivermos a vacina, sempre é bom relembrarmos um pouco sobre os sintomas e transmissão. Se apresentar algum deles, procure orientação médica, tenha auto responsabilidade e evite a contágio para outras pessoas, essa ainda é a principal forma de combater a doença. 

Sintomas:

Os sintomas da COVID-19 podem variar de um simples resfriado até uma pneumonia severa. Sendo os mais comuns:

  • Tosse
  • Febre
  • Coriza
  • Dor de garganta
  • Perda de olfato
  • Perda de paladar
  • Diarreia
  • Dor de cabeça
  • Dores no corpo
  • Dificuldade para respirar
  • Confusão mental
  • Náusea
  • Vômito

Transmissão:

A transmissão do novo corona vírus se dissemina principalmente por meio de pequenas gotículas expelidas pelo nariz e pela boca de uma pessoa infectada, que logo caem no chão ou por contato próximo por meio de:

  • Toque ou aperto de mão;
    • Gotículas de saliva;
    • Espirro;
    • Tosse;
    • Catarro;
    • Objetos ou superfícies contaminadas, como celulares, mesas, maçanetas, brinquedos, teclados de computador etc.

A transmissão pelo ar é possível durante alguns procedimentos médicos que geram aerossóis, que são capazes de permanecer suspensos no ar por períodos mais longos, como as cirurgias em pacientes positivos, por exemplo. Quando esses procedimentos são realizados em pacientes infectados com a Covid-19 em Unidades de Saúde, esses aerossóis podem conter o vírus e caso os profissionais de saúde não estiverem utilizando os equipamentos de proteção individual (EPIs) apropriados, eles podem ser contaminados. Portanto, é essencial que todos que executam esses procedimentos na área da saúde tomem medidas específicas de proteção aérea, incluindo o uso de equipamento de proteção individual adequado. As partículas flutuantes do vírus podem infectar indivíduos que as inalam, devido essas partículas menores que são exaladas poderem permanecer no ar. Visitantes não devem ser permitidos em áreas onde esses procedimentos estão sendo realizados. Houve relatos de surtos de Covid-19 em alguns ambientes fechados, como restaurantes, boates, locais de culto ou de trabalho, onde as pessoas podem estar gritando, conversando ou cantando. Nesses surtos, a transmissão de aerossóis, principalmente em locais fechados, onde há espaços lotados e inadequadamente ventilados, não pode ser descartada.

Os modos de transmissão do vírus, suas implicações e recomendações para o controle da infecção são importantes para prevenir a doença e a mortalidade associada. As evidências atuais sugerem que a doença é disseminada predominantemente de pessoa a pessoa. O entendimento de como, quando e em que tipo de ambientes isso ocorre é fundamental para a elaboração de medidas efetivas de saúde pública, com o intuito de romper as cadeias de transmissão.

A nova síndrome pandêmica continua sendo foco de investigações e estudos diversos na comunidade científica em todo o mundo. Vamos continuar lavando as mãos, usando álcool gel, tomando todos os cuidados já amplamente divulgados e confiantes de que logo isso tudo passará.

Por: Dra. Valéria Regiane Lovison Gerônimo – CRF/SP: 25.204 – Farmacêutica-Bioquímica, graduada pela USC – Bauru/SP em 1.999, com Habilitação em Análises Clínicas em 2.000. Gestora do Laboratório de Análises Clínicas Imlab, atua há 20 anos como analista clínica, onde realiza apoio diagnóstico aos médicos do interior do Estado de São Paulo/SP. Membro da comissão de Ética do CRF/SP e dos grupos da Ofac – Organização Feminina de Análises Clínicas, sócia efetiva da Sbac – Sociedade Brasileira de Análises Clínicas.

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